A Propósito de Sopa dos Pobres

Os arautos do capitalismo selvagem têm defendido que “o”estado social” criou a pobreza, fomentou-a, alimentou-a para dela se alimentar politicamente, para agora reclamar a exclusividade na procura de soluções, que não encontra exigindo o respeito pela patente da solidariedade que não é capaz de concretizar. Pior do que isto, exorciza os “solidários”, porque prometeu que iria defender uma sociedade justa e mais equitativa.

É aqui que reside a diferença entre os que defendem o estado social e os que defendem o regime caritativo e assistencialista.

O Estado Social foi sendo criado na Europa Ocidental como resposta à pressão dos sindicatos e outras organizações, para garantir aos trabalhadores a segurança no trabalho e justas retribuições, ou a retribuição social na falta desse direito fundamental, bem como assegurar a retribuição social na reforma ou na invalidez. Foi uma forma de “concorrer” com as garantias dos trabalhadores dos países do leste europeu que tinham, à falta de liberdade, garantida a educação, a habitação, os transportes, o acesso à cultura, a saúde, gratuitos e garantido o trabalho e reforma.
Este Estado Social foi criado pelos partidos democratas cristãos, social-democratas, socialistas e comunistas dos países da Europa Ocidental.
Como o colapso dos regimes comunistas, o capitalismo deixou de ter necessidade de dar com uma mão para tirar com a outra. Passou a tirar com as duas mãos. Começou com as políticas de Reagan e Tatcher, continuadas com as “segundas vias” de partidos social-democratas e socialistas ideologicamente rendidos à lógica do crescimento desregulado dos mercados financeiros.

Não foi o estado social que criou a pobreza, que a fomentou, para criar uma clientela política.
Onde é que foram buscar essa ideia, como se fosse uma verdade científica?
Científicas são as conclusões dos relatórios insuspeitos da Fundação Francisco Manuel dos Santos (http://www.ffms.pt/) sobre a situação anterior à criação (tímida) do estado social em Portugal.
As sopas dos pobres foram criadas no tempo do Salazar e durante muito tempo deixou de haver necessidade da sua existência. Surge agora devido ao estado social, ou surge precisamente porque estão destruindo o estado social?

É esta a linha que separa realmente quem defende o estado social, que abrange o leque que vai desde os dirigentes atuais e antigos do CDS, PSD, PS, PCP e BE, não vale a pena citar os nomes deles, que em público exprimem o seu repúdio pela orientação política que a União Europeia segue desde 2010, dos “espúrios” que se rendem às exigências e à lógica, ideológica, desta política. Que empobrece o país para o tornar “competitivo” com os países que exploram a mão-de-obra escrava e infantil!Festincapitalista